Resenha: The Statistical Probability of Love at First Sight, Jennifer E. Smith

Por causa de quatro minutos, Hadley perde o vôo que a levaria para o casamento do seu pai. Ela realmente não queria ir, mas o atraso não foi de propósito. Mas por causa desses quatro minutos, as próximas 24 horas serão totalmente diferentes. A começar pela presença de Oliver ao seu lado.

Comecei a ler esse livro esperando um romancezinho legal, mas sem grandes surpresas, e que bom que me surpreendi! Não é nada muito pretensioso – são apenas dois adolescentes no mesmo vôo conversando o tempo inteiro -, mas essa é a grande sacada do livro.

A perspectiva é da Hadley e ela vai se apresentando e apresentando o Oliver enquanto conhece ele, também. Os dois conversam o tempo inteiro – 24h – no avião, e é incrível como nós sentimos, assim como os personagens sentem, que parece muito mais tempo.

Mas o melhor de tudo é que o livro não é só isso. Não é só a história de um casal que se conhece num avião e tem uma forte ligação desde o começo. O mais legal do livro é que o fato de eles se conhecerem ajuda-os a amadurecer. Lógico, eles são adolescentes, eles não viram pessoas incrivelmente maduras de uma hora pra outra, mas as conversas que eles têm os fazem perceber algumas coisas de forma diferente em suas vidas. Fazem com que eles pensem melhor a respeito de algumas atitudes que eles tomaram e de alguns pré-conceitos que eles têm.

Esse é um daqueles livros que você queria muito que fosse maior, que tivesse mais história, mas que também ganha pontos por apresentar exatamente o que propõe. Imagino que se a autora tivesse se alongado, perderia alguma coisa da essência, ficaria enchendo linguiça pra nada. Recomendo por ser uma leitura leve e despretensiosa, rápida e encantadora. É bom pra sonhar com um Oliver (ele não tem como existir, sério)!

Quando eu estava lendo, fiz um post com algumas informações e alguns comentários.

Livro: A Probabilidade Estatística do Amor à Primeira Vista

Autora: Jennifer E. Smith

Lançamento: 2013

Editora: Galera Record

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Classificação: mpcmpcmpcmpcmpc

Resenha: The Future of Us, Jay Asher e Carolyn Mackler

O ano é 1996. Emma acaba de ganhar um computador de presente do seu pai, que está ocupado com a filha recém-nascida e a nova companheira. Josh, seu vizinho, dá a ela o cd de conexão à internet da AOL, mesmo com o relacionamento estranho deles de um tempo pra cá. Ao instalar esse cd, Emma descobre algo muito estranho chamado Facebook — e as informações que esse tal Facebook traz são ainda mais estranhas…

Imagine-se descobrindo o futuro. Imagine-se tentando descobrir o que suas ações de hoje podem fazer com o que seu futuro. É isso que espera Emma nos primeiros dias com o seu novo computador. Josh não entende nada no começo, e não parece querer entender, também. Será que saber o futuro é tão ruim assim?

Esse foi o primeiro livro que eu li desses dois autores. Sempre tive muita curiosidade em ler algo dos dois, e não me decepcionei. Os dois alternam as perspectivas dos personagens e os capítulos, e eu adoro histórias assim, com mais de um ponto de vista.

Achei que os autores foram bem felizes ao juntar perspectivas para falar do futuro. Eles desenvolveram bem os medos e as surpresas dos personagens, e eu adorei principalmente a sensação nostálgica que me deu ao ler sobre o cd da AOL e o começo da internet (acho que quem é mais novo não tem a lembrança do barulho da internet discada!). Além disso, gostei muito das angústias da Emma, tanto por causa do seu futuro quanto por causa do seu presente.

O que eu não gostei muito foi que apesar de ter as perspectivas dos dois personagens, a do Josh é bem menor e menos aprofundada. Senti falta de entender mais a opinião dele sobre seu futuro e queria mais detalhes sobre o passado, também. Também não gostei muito do final. Poderia ser tão mais detalhado, poderia ter um epílogo muito legal. Senti falta disso.

Apesar disso, no geral, gostei da leitura. É um livro que te faz pensar um pouco sobre as consequências dos teus atos no futuro. Cada coisinha que a Emma faz no presente reverbera no futuro, achei isso muito interessante. É bom reparar nas nossas escolhas mais simples de vez em quando.

A capa original é bem legal, mas a capa brasileira tá muito mais linda, com muito mais detalhes. A Galera Record capricho demais!

Livro: O futuro de nós dois

Autores: Jay Asher e Carolyn Mackler

Lançamento: 2013

Editora: Galera Record

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Classificação: 

Resenha: Pandemonium, Lauren Oliver

 

Lena agora é outra pessoa. Não é a mesma que, um dia, não entendia porque algumas pessoas não queriam ser curadas da deliria amor nervosa. Agora Lena está dividida entre o passado e o futuro; o passado seguro, o futuro incerto. Mas nenhum dos dois é capaz de aliviar a dor de suas perdas e o ódio que ela alimenta. Agora tudo é pela sua sobrevivência.

Depois de tudo o que Lena passa com Alex, sua sobrevivência é a única coisa que a leva adiante. Esse livro é narrado em dois períodos de tempo diferentes, ambos em primeira pessoa: o antes, quando Lena conta tudo o que acontece com ela logo após sua fuga. Toda a sua luta para sobreviver, para nascer de novo, na Selva; e o agora, quando Lena já tem um objetivo definido a ser cumprido, quando ela já é a nova Lena, aquela que deixou muita coisa pra trás. Os dois períodos são contados em capítulos alternados, dando uma ótima visão do quanto a Lena mudou e sofreu e renasceu, e do quanto ainda continua dentro dela, sempre com ela, dando-lhe forças.

Quando eu li Delírio, um ano atrás, achei incrível. Eu pensava numa história incrivelmente romântica, e ela me surpreendeu por não ser apenas isso, mas também uma história de luta. Na mesma época, li outro livro que também adorei, Destino – bem parecido, mas com pontos fortes diferentes. Aí depois eu li a continuação de Destino, Travessia, e gostei bastante, mas… faltou algo. Depois disso fiquei com receio de Pandemônio também sofrer desse mal de o segundo livro não ser tão incrível como o primeiro.

Mas não. Pandemônio é tão bom quanto Delírio. Não sei dizer se é até mais, são bem diferentes. A Lena é uma personagem bem diferente, bem mais forte, nesse livro. Não falta nada na história, nem ação, nem aventura, nem romance, nem suspense, nem reviravolta. É muito visceral. As partes do antes são recheadas de momentos emocionantes e angustiantes, em que ela luta a cada momento pra sobreviver dentro da selva e dentro de si mesma. As partes do agora são feitas com suspense e medo, mas um medo diferente do que a afligia antes. Nessas partes eu acompanhei a leitura como se tivesse segurando uma granada prestes a explodir, e aí eu percebia que talvez ela não explodisse, pra depois perceber que ela vai explodir sim, mas de um jeito totalmente diferente do que eu imaginava. 

Agora eu tenho mais receio ainda de ler o final da série. Prevejo sentimentos conflitantes, que se a autora não souber como levá-los, vai destruir a história. Eu tenho minhas apostas, espero que minhas expectativas sejam atendidas!

Livro: Pandemônio

Série: Delírio #2 | Delírio #1

Autora: Lauren Oliver

Lançamento: 2013

Editora: Intrínseca

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Classificação: 

Resenha: The Marriage Plot, Jeffrey Eugenides

Madeleine Hanna está em seu último ano em Brown. Ela está terminando o curso de Letras e fará sua monografia baseada em Jane Austen e George Eliot. Leonard Bankhead é um de seus pretendentes, o gênio com sérios problemas: biológo, maníaco-depressivo, que mantém com Madeleine uma relação erótica e intelectual; Michel Grammaticus é o outro pretendente, o gênio com dúvidas sérias: teólogo, com dois sonhos – de viajar para a Índia, pra conhecer a si mesmo e a Deus, e a Madeleine, (mas ele é apenas um amigo, desde sempre).

Se você se apegar ao fato da sinopse dizer que a Madeleine tem dois pretendentes e achar que o livro não passa de mais um livro com um simples romance, por favor leia pra rever suas ideias. Eugenides me levou a uma viagem intensa pelos conceitos vitorianos das leituras de Madeleine, pelas dúvidas e certezas da fé de Michel, pelas loucuras e momentos sanos do Leonard.

Uma coisa que não ficou muito boa foi essa coisa do triângulo amoroso. Pra mim não existe triângulo, existe um relacionamento real e um relacionamento platônico. A Madeleine é incrivelmente devotada ao Leonard e desde sempre conhece o Michel e o trata como amigo. Ele é que confunde as coisas e é louco por ela. Longe disso deixar a história ruim, mas eu esperava mais sentimentos contraditórios da Madeleine, e isso não acontece.

Na verdade, ao ler a sinopse, eu esperava mais sentimentos. Bem mais. Não me desapontei com a leitura porque as personalidades dos personagens são incríveis, muito reais. A busca do Michel pelas suas respostas espirituais me fez refletir sobre coisas que nunca tinha pensado. E a luta do Leonard pela sua sanidade diante do seu transtorno e de todos os efeitos colaterais que os remédios trazem é algo que, juntando com a personalidade difícil dele, me fez sentir em uma montanha-russa com ele.

Esse livro foi uma leitura mais demorada pra mim, mas que valeu super a pena. Nunca tinha lido nada do autor, e a narrativa dele superou minhas expectativas. Recomendo a leitura principalmente para aquelas pessoas que sempre esperam mais de um romance romântico.

Livro: A trama do casamento

Autor: Jeffrey Eugenides

Lançamento: 2012

Editora: Companhia das Letras

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Classificação: mpcmpcmpcmpc

Resenha: A Confissão da Leoa, Mia Couto

Em Kulumani, uma pequena tribo moçambicana, vários ataques de leões estão acontecendo. Já são mais de 20 vítimas – apenas um homem entre elas -, e as autoridades estão em alerta. Um conhecido caçador é escalado para matar as feras: Arcanjo Baleiro já esteve na região para abater um jacaré, já roubou o coração da jovem Mariamar, já conhece um pouco dos costumes da região.

Li esse livro nesse mês de março porque foi o primeiro livro do Clube de Leitura Penguin/Companhia e Livraria Cultura RioMar. Eu e uma amiga, Mariana (vocês verão mais dela aqui, aguardem!), somos mediadoras desse clube e debatemos esse livro na primeira segunda-feira de abril com um grupo de 10 pessoas lá na loja do RioMar. Foi uma experiência ótima, e aproveito minha resenha pra compartilhar algumas coisas debatidas no grupo.

Esse foi meu primeiro livro do Mia Couto e, claro, foi além das minhas expectativas (e pré-conceitos). Alternando entre as perspectivas de Mariamar, uma jovem da tribo Kulumani, e Arcanjo Baleiro, o caçador de fora da tribo, Mia Couto conseguiu descrever a magia e a brutalidade de uma tribo moçambicana remota, os amores e medos de dois personagens bem diferentes, a fé e a coragem de quem sempre acreditou nos mistérios da vila e de quem está começando a conhecê-la.

Se por um lado eu fiquei confusa e cheia de teorias a respeito dos leões e de quem ataca quem, por outro lado também fiquei encantada com a passionalidade de Mariamar e bastante intrigada por todo o desenvolvimento da história. Não entendi bem porque de algumas coisas acontecerem com a Mariamar (por exemplo, ela conta que ela ficou paralítica no passado, mas que depois de um tempo (um ano, acho) voltou ao normal. seria por causa de alguma doença?, ou algo mais ligado à fé dela?), mas a perspectiva dela sempre me deixava com alguma angústia, por n motivos. Todos os questionamentos dela são tão próprios e, ao mesmo tempo, tão gerais. Ela se pergunta por que vive e chora e ama por causa da opressão de Kulumani e do contexto em que ela vive, mas todas essas perguntas ressoaram pra mim, vivendo num contexto bem melhor do que o dela, sem todo o sofrimento e a confusão em que ela vive.

Quanto ao Arcanjo Baleiro, o que eu gostei mais foi porque durante a história ele perde e ganha várias coisas. Não materialmente falando, mas em termos de amadurecimento mesmo. Ele é traumatizado por conta de um acontecimento na infância, que muda toda a sua vida. Por causa disso e do seu contexto, é uma pessoa bruta, cheio de farpas. Com o passar da história, Kulumani acaba mudando seu modo sempre objetivo de observar o mundo ao redor.

Esse livro foi uma ótima surpresa, um novo aprendizado. E poder debater esse contexto de realidade fantástica e outros aspectos do livro com um grupo foi muito legal. É um livro forte de crítica e religiosidade, misturando realidade e fantasia, crença e objetivismo. Valeu muito a pena.

Livro: A confissão da leoa

Autor: Mia Couto

Lançamento: 2012

Editora: Companhia das Letras

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