Resenha: Pandemonium, Lauren Oliver

Lena agora é outra pessoa. Não é a mesma que, um dia, não entendia porque algumas pessoas não queriam ser curadas da deliria amor nervosa. Agora Lena está dividida entre o passado e o futuro; o passado seguro, o futuro incerto. Mas nenhum dos dois é capaz de aliviar a dor de suas perdas e o ódio que ela alimenta. Agora tudo é pela sua sobrevivência.
Depois de tudo o que Lena passa com Alex, sua sobrevivência é a única coisa que a leva adiante. Esse livro é narrado em dois períodos de tempo diferentes, ambos em primeira pessoa: o antes, quando Lena conta tudo o que acontece com ela logo após sua fuga. Toda a sua luta para sobreviver, para nascer de novo, na Selva; e o agora, quando Lena já tem um objetivo definido a ser cumprido, quando ela já é a nova Lena, aquela que deixou muita coisa pra trás. Os dois períodos são contados em capítulos alternados, dando uma ótima visão do quanto a Lena mudou e sofreu e renasceu, e do quanto ainda continua dentro dela, sempre com ela, dando-lhe forças.
Quando eu li Delírio, um ano atrás, achei incrível. Eu pensava numa história incrivelmente romântica, e ela me surpreendeu por não ser apenas isso, mas também uma história de luta. Na mesma época, li outro livro que também adorei, Destino – bem parecido, mas com pontos fortes diferentes. Aí depois eu li a continuação de Destino, Travessia, e gostei bastante, mas… faltou algo. Depois disso fiquei com receio de Pandemônio também sofrer desse mal de o segundo livro não ser tão incrível como o primeiro.
Mas não. Pandemônio é tão bom quanto Delírio. Não sei dizer se é até mais, são bem diferentes. A Lena é uma personagem bem diferente, bem mais forte, nesse livro. Não falta nada na história, nem ação, nem aventura, nem romance, nem suspense, nem reviravolta. É muito visceral. As partes do antes são recheadas de momentos emocionantes e angustiantes, em que ela luta a cada momento pra sobreviver dentro da selva e dentro de si mesma. As partes do agora são feitas com suspense e medo, mas um medo diferente do que a afligia antes. Nessas partes eu acompanhei a leitura como se tivesse segurando uma granada prestes a explodir, e aí eu percebia que talvez ela não explodisse, pra depois perceber que ela vai explodir sim, mas de um jeito totalmente diferente do que eu imaginava.
Agora eu tenho mais receio ainda de ler o final da série. Prevejo sentimentos conflitantes, que se a autora não souber como levá-los, vai destruir a história. Eu tenho minhas apostas, espero que minhas expectativas sejam atendidas!
Livro: Pandemônio
Série: Delírio #2 | Delírio #1
Autora: Lauren Oliver
Lançamento: 2013
Editora: Intrínseca
Links: Skoob
Resenha: The Marriage Plot, Jeffrey Eugenides

Madeleine Hanna está em seu último ano em Brown. Ela está terminando o curso de Letras e fará sua monografia baseada em Jane Austen e George Eliot. Leonard Bankhead é um de seus pretendentes, o gênio com sérios problemas: biológo, maníaco-depressivo, que mantém com Madeleine uma relação erótica e intelectual; Michel Grammaticus é o outro pretendente, o gênio com dúvidas sérias: teólogo, com dois sonhos – de viajar para a Índia, pra conhecer a si mesmo e a Deus, e a Madeleine, (mas ele é apenas um amigo, desde sempre).
Se você se apegar ao fato da sinopse dizer que a Madeleine tem dois pretendentes e achar que o livro não passa de mais um livro com um simples romance, por favor leia pra rever suas ideias. Eugenides me levou a uma viagem intensa pelos conceitos vitorianos das leituras de Madeleine, pelas dúvidas e certezas da fé de Michel, pelas loucuras e momentos sanos do Leonard.
Uma coisa que não ficou muito boa foi essa coisa do triângulo amoroso. Pra mim não existe triângulo, existe um relacionamento real e um relacionamento platônico. A Madeleine é incrivelmente devotada ao Leonard e desde sempre conhece o Michel e o trata como amigo. Ele é que confunde as coisas e é louco por ela. Longe disso deixar a história ruim, mas eu esperava mais sentimentos contraditórios da Madeleine, e isso não acontece.
Na verdade, ao ler a sinopse, eu esperava mais sentimentos. Bem mais. Não me desapontei com a leitura porque as personalidades dos personagens são incríveis, muito reais. A busca do Michel pelas suas respostas espirituais me fez refletir sobre coisas que nunca tinha pensado. E a luta do Leonard pela sua sanidade diante do seu transtorno e de todos os efeitos colaterais que os remédios trazem é algo que, juntando com a personalidade difícil dele, me fez sentir em uma montanha-russa com ele.
Esse livro foi uma leitura mais demorada pra mim, mas que valeu super a pena. Nunca tinha lido nada do autor, e a narrativa dele superou minhas expectativas. Recomendo a leitura principalmente para aquelas pessoas que sempre esperam mais de um romance romântico.
Livro: A trama do casamento
Autor: Jeffrey Eugenides
Lançamento: 2012
Editora: Companhia das Letras
Links: Skoob
Resenha: A Confissão da Leoa, Mia Couto

Em Kulumani, uma pequena tribo moçambicana, vários ataques de leões estão acontecendo. Já são mais de 20 vítimas – apenas um homem entre elas -, e as autoridades estão em alerta. Um conhecido caçador é escalado para matar as feras: Arcanjo Baleiro já esteve na região para abater um jacaré, já roubou o coração da jovem Mariamar, já conhece um pouco dos costumes da região.
Li esse livro nesse mês de março porque foi o primeiro livro do Clube de Leitura Penguin/Companhia e Livraria Cultura RioMar. Eu e uma amiga, Mariana (vocês verão mais dela aqui, aguardem!), somos mediadoras desse clube e debatemos esse livro na primeira segunda-feira de abril com um grupo de 10 pessoas lá na loja do RioMar. Foi uma experiência ótima, e aproveito minha resenha pra compartilhar algumas coisas debatidas no grupo.
Esse foi meu primeiro livro do Mia Couto e, claro, foi além das minhas expectativas (e pré-conceitos). Alternando entre as perspectivas de Mariamar, uma jovem da tribo Kulumani, e Arcanjo Baleiro, o caçador de fora da tribo, Mia Couto conseguiu descrever a magia e a brutalidade de uma tribo moçambicana remota, os amores e medos de dois personagens bem diferentes, a fé e a coragem de quem sempre acreditou nos mistérios da vila e de quem está começando a conhecê-la.
Se por um lado eu fiquei confusa e cheia de teorias a respeito dos leões e de quem ataca quem, por outro lado também fiquei encantada com a passionalidade de Mariamar e bastante intrigada por todo o desenvolvimento da história. Não entendi bem porque de algumas coisas acontecerem com a Mariamar (por exemplo, ela conta que ela ficou paralítica no passado, mas que depois de um tempo (um ano, acho) voltou ao normal. seria por causa de alguma doença?, ou algo mais ligado à fé dela?), mas a perspectiva dela sempre me deixava com alguma angústia, por n motivos. Todos os questionamentos dela são tão próprios e, ao mesmo tempo, tão gerais. Ela se pergunta por que vive e chora e ama por causa da opressão de Kulumani e do contexto em que ela vive, mas todas essas perguntas ressoaram pra mim, vivendo num contexto bem melhor do que o dela, sem todo o sofrimento e a confusão em que ela vive.
Quanto ao Arcanjo Baleiro, o que eu gostei mais foi porque durante a história ele perde e ganha várias coisas. Não materialmente falando, mas em termos de amadurecimento mesmo. Ele é traumatizado por conta de um acontecimento na infância, que muda toda a sua vida. Por causa disso e do seu contexto, é uma pessoa bruta, cheio de farpas. Com o passar da história, Kulumani acaba mudando seu modo sempre objetivo de observar o mundo ao redor.
Esse livro foi uma ótima surpresa, um novo aprendizado. E poder debater esse contexto de realidade fantástica e outros aspectos do livro com um grupo foi muito legal. É um livro forte de crítica e religiosidade, misturando realidade e fantasia, crença e objetivismo. Valeu muito a pena.
Livro: A confissão da leoa
Autor: Mia Couto
Lançamento: 2012
Editora: Companhia das Letras
Links: Skoob
Resenha: Elixir, Hilary Duff

Clea Raymond é filha de um prestigioso casal, um cirurgião e uma política. Com 17 anos ela já viajou para várias partes do mundo e se dedica ao seu amor pela fotografia nessas viagens, tanto que até é freelancer de fotojornalismo. Há cerca de um ano, o pai de Clea desaparece numa das viagens dele ao Brasil e todos pensam que ele está morto, mas ela não perde as esperanças e continua procurar por ele. Nessa procura, ao reparar bem em várias fotos de vários estágios de sua vida, Clea percebe alguém que sempre aparece em suas fotos, e ela não sabe se isso é bom ou é ruim.
Um resumo confuso para uma história bem clichê e cheia de pontas que não são explicadas nesse primeiro livro. E, também, se eu explicar tudo perde metade da graça do livro, já que ele é bem previsível, mesmo que a autora tenha tentado diversificar.
A narrativa é fluida, talvez porque o começo é melhor do que o final. Sinceramente, não pretendo ler os outros dois livros para saber se as pontas soltas são explicadas, porque tudo me pareceu meio forçado. A Clea pode fazer de tudo, a mãe dela consegue tudo, o pai dela sabe de tudo – ele é cirurgião, historiador, político, mil e uma utilidades -, todos a amam desde sempre e por causa de… então, da vida. Não sou fã da atriz Hilary, mas achei a narrativa e as “soluções” bem hollywoodianas, bem parecidas com o que ela viveu nos trabalhos dela como atriz.
O que me fez classificar esse livro entre razoável e bom foi que mesmo com os clichês, a história tem um mistério interessante, uma explicação legal pro tal do elixir. Seria mais legal se a Clea não fosse tão chata, se não tivesse tantos buracos (normais de uma série) e se ela realmente se fixasse no objetivo principal dela, que é encontrar o pai. A autora diversificou o tema adicionando “pistas” para o mistério principal, o que eu gostei e, mesmo recaindo em clichês, fez a surpresa ser maior.
No final de setembro do ano passado teve evento de Devoted, segundo livro da série, aqui em Recife, organizado por mim. Tem algumas fotos e um vídeo de uma das tarefas do dia aqui nesse post!
Livro: Elixir
Série: Elixir #1
Autora: Hilary Duff
Lançamento: 2011
Editora: iD











