Eu queria ser pedra.

Você é pedra e eu sou flor. Você se orgulha do que é. Eu queria ser pedra, mas nasci flor. Não tenho orgulho disso, mas também não me envergonho. Somos apenas o que somos.

Mas pedra e flor podem se juntar. Se complementam, se assimilam. Ouso dizer que uma das coisas mais bonitas é quando uma pedra dá flor. A pedra não deixa de ser pedra; nada muda em sua vida e seu jeito de ser. Não vai amolecer e não vai desaparecer. Ela continua ali, firme e forte. A flor também não muda. Ela se adequa por entre a pedra, faz dela seu lar. Se dobra e desdobra pra se juntar. Não deixa de ser firme e forte, do seu próprio jeito, bem diferente do da pedra. Mas não se deixa morrer, não se deixa matar.

Eu gostaria de ser pedra, mas nasci flor. E quando eu penso que você nasceu pedra e que nós um dia nos encontramos totalmente por acaso, vejo que é ótimo eu ter nascido flor. Se não fosse assim, não teríamos chance. Duas pedras podem até ficar lado a lado, mas não se juntam, não se completam. Só a erosão resta para elas. Acho que a pedra e a flor ajudam, dão força e abrigo um ao outro.

Não é difícil, meu bem, ser flor enquanto você é pedra. O que é difícil é encarar o medo de, talvez, ser arrancada sem perceber dessa situação complementar entre nós dois. Mas eu não desisto de mim, não desisto de nós. Sei que o futuro nos reserva dias nublados e ensolarados. Consigo viver nas duas situações, se você estiver comigo.

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