O que poderia ter sido

Daí depois de dias pensando “será que eu pensei nele hoje?”, você realmente para de pensar nele. Não é uma escolha consciente, mas quando ele não ajuda também fica mais fácil. E aí fica mais fácil de conviver com ele. Não é como se vocês realmente precisassem se falar todos os dias, era você quem movia mundos e fundos pra que isso acontecesse. Mas quando você para de tentar o mundo não para de girar, e aos poucos você fica bem com isso. Afinal, antes dele era assim, não era? Então depois dele também vai ser. Mas aí tem um dia, totalmente aleatório, que o mundo parece que quer rir (mais) da sua cara. Então você se arruma, se sente bem… e percebe o olhar dele. Ele. olha. pra. você. Como isso pode ser possível? Que piada de mau gosto é essa do mundo? Você lembra de todos os dias em que quis aquele olhar, tanto, com tanta força. Você lembra que um dia você se esforçou realmente pra receber aquele olhar. E nada. Nem uma ligeira virada de cabeça para o seu lado. E aí naquele dia, aquele dia em que você já jogou a toalha, já se desprendeu dos sentimentos, já se sente como uma pessoa normal que não precisa de um mero olhar pra se sentir bem…. Ele olha pra você. E você não quer se abalar, você jura que não se abala, mas ao parar e respirar fundo você se percebe lembrando de coisas que não existiram. E você precisa se lembrar que aquilo não existiu e que nunca existirá. E que é melhor nem falar pra não invocar as imagens novamente. E aí você decide beber uma água, respirar mais fundo, desanuviar a cabeça. E ele está lá, no mesmo lugar, olhando pra você. E parece que você cai num redemoinho sem fim, parece que você está numa sala cheia de espelhos e tudo o que você consegue fazer é olhar pra si mesma e achar uma saída, porque tem que haver uma em alguma lugar e você só está perdendo o foco, é só se concentrar e perceber a saída. Você não vai se perder de novo, você não vai cair no mesmo buraco de novo. Isso é passageiro. Não há nada com o que se preocupar, não há nada com o que sonhar, não há nada para se apegar. Você faz dessas palavras um mantra e tenta se concentrar no que tiver de importante para não começar a pensar de novo em tudo o que poderia ter sido. Tudo o que poderia ter sido, se você não fosse você e ele não fosse ele. Será mesmo que poderia ter sido algo?

Dentro de você parece que passou um furacão, mas na realidade o mundo lá fora continua o mesmo. É tudo a mesma solidão. E ele não está nem aí para as mudanças que causa com um simples olhar. E você também não deveria estar. E você sabe, em breve não vai estar.

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