Resenha de convidado: É isto um homem?, Primo Levi

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O É isto um homem é um livro de relatos reais sobre a vida no campo de concentração nazista, em Auschwitz. Primo Levi sobreviveu ao terror nazista no século passado e deixou um legado sem precedentes em seus livros. Até aqui já ficou claro que não é um livro de ficção, mas, acima de tudo, é um livro necessário.

A leitura do É isto um homem produziu em mim, pela primeira vez, uma espécie de transtorno bipolar literário. Explico: eu queria muito aprender sobre a Shoá, entender um pouco do que foi a Segunda Guerra Mundial e os motivos que levaram o povo judeu a ser alvo de Hitler. Porém, os relatos de Levi são muito fortes e saber que tudo o que ele fala de fato aconteceu, me dava um medo imenso… Pesava na alma ter que pegar o livro e continuar a leitura sabendo que não haveriam palavras de conforto naquelas páginas. Levei cerca de dois meses para terminar a leitura, por conta desse processo de querer e não querer ler É isto um homem.

Levi narra como foi levado para o campo de concentração e pinta o cenário que desumanizou milhares de pessoas no século passado. Todavia, ainda que extremamente pesados, os relatos demonstram, de certa forma, a resistência do ser humano e a esperança que nos fortalece, ainda que neguemos sua existência, como muitas vezes o fez Levi nesses relatos.

O título resume o que Levi quis mostrar em seu livro: o que os nazistas produziram ao final da guerra, o que eles fizeram os judeus, gays, mulheres, crianças, presos “políticos”, ciganos, se tornarem enquanto estavam presos é um representante da raça humana?

Acredito que é uma leitura necessária e recomendo porque a experiência foi diferente para mim. Levi expõe a história de maneira diferente, de dentro dela e, durante seus relatos, analisa o que se tornou, o que os nazistas produziram. Consequentemente, arrepia a pele e ensina a questionar o mundo a nossa volta.

Igor Marcondes, 25 anos, formado em Letras pela USP, morou dois anos em Santiago do Chile, onde estudou na PUC e, atualmente, mora em São Paulo. Escreve poesia quando o capital deixa, narrativas quando o tempo coopera e resenhas quando os amigos pedem. Trabalha com revisão de texto e pretende seguir a carreira literária.

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