Cosac, o fim.

É muito estranho pensar no fim de uma editora. É diferente de pensar no fim de uma banda ou no fim de um programa de tv. Sempre pensei em livros como algo infinitos e intermináveis, visto que cada nova leitura é um novo ciclo, é pensar no livro de uma forma diferente. E, talvez, às vezes esse pensamento se estende para as editoras, também.

O que é um erro, porque tudo que dá lucro tem a possibilidade (e a probabilidade) de, um dia, não dar mais e, assim, sumir. E por mais que eu por vezes esqueça que livro é produto, o mercado não esquece.

E é muito fácil olhar para um livro da Cosac e não lembrar que aquilo é um produto. Poderia muito bem ser uma obra de arte (e arte não é produto, também?). Enfim.

Minha história com a C&N não é de longa data nem de longas leituras. Só li os livros do Alejando Zambra, só comprei os livros dele e o box do Guerra e Paz que ainda está na pilha de não-lidos e só morro de vontade de comprar Anna Karenina e Mary Poppins. Ah, e tenho uma paixão platônica pelo Oblómov. Na verdade eu adorava cheirar as páginas desse livro, mas nunca me interessei verdadeiramente em comprar. Mas as páginas têm cheiro de chá e tinta fresca.

É uma pena que o nosso mercado não suporte a pequena tiragem com acabamento incrível que é a marca registrada da Cosac. É incrível pensar que desde o começo a editora marcou com esse estilo caprichado. Os sebos ficarão mais bonitos com esses exemplares tão bem trabalhados.

Eu vi em uma matéria da Folha que, ao receber um e-mail, o Charles Cosac responde automaticamente com a música “Meu mundo caiu”, da Maysa. Sr. Cosac, você caiu no meio de livros incríveis.

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