Resenha: Rani e o Sino da Divisão, Jim Anotsu

Rani é uma garota que toca numa banda de punk death metal com sua melhor amiga, que mora numa cidadezinha de interior e que não é muito diferente do comum — pelo menos até ela conhecer Pietro no cemitério e descobrir que ela é tudo, menos comum. Pietro é um garoto (não tão jovem assim) que usa roupas fluorescentes e que faz parte de uma facção chamada Animais de Festa – e é a pessoa que avisa a Rani que ela é uma xamã, que tem alguém querendo matá-la e que ela precisa entrar de cabeça num mundo que ela nem sequer imaginava que existia!

Jim Anotsu tem outros dois livros lançados — A Morte é Legal e Annabel & Sarah — e ambos estão na minha lista de favoritos. Esse não podia ser diferente: já está no seu lugar reservado na prateleira de favoritos (autografado, ainda mais!).

The thing is: Jim Anotsu escreve fantasia como se tivesse escrevendo uma história comum. Nada parece forçado demais, nem precisa de quinze páginas de explicações. Tudo se encaixa perfeitamente, e quando você percebe já leu metade do livro e vai ~apenas~ ler o próximo capítulo (e acaba lendo por toda a madrugada).

Só que história comum não é bem o termo que alguém poderia usar para classificar esse (ou qualquer outro) livro do autor. Nesse livro encontramos uma xamã que precisa encontrar um artefato mágico capaz de destruir seu inimigo. Para isso, ela contará com a ajuda da sua melhor amiga humana, de vampiros, do filho de Satã, do próprio Satã, de lendas antigas e de outras coisas mais. Além disso, ela viajará entre mundos, tocará sua guitarra num festival de música, conhecerá inúmeras criaturas sobrenaturais, se apaixonará, virará vegetariana e, bem, lutará pela sua vida.

O resultado disso tudo é uma leitura divertida, dinâmica, cheia de referências pop (como sempre), com listas de livros preferidos, com amigos pra todas as horas, com diferentes e incríveis mundos (apenas: AMAZONAS. MONTADAS. EM. DINOSSAUROS). Eu não sei se consigo explicar realmente o porquê desse livro ter se tornado um favorito pra mim; é mais pelo fato de ele me surpreender por causa da personalidade da Rani, dos sentimentos do Pietro, da lealdade dos Animais de Festa, das inúmeras referências a coisas que eu amo, das outras inúmeras referências a coisas que eu só conheci por causa do livro.

Quando esse livro foi lançado, na Bienal de SP desse ano, eu conheci o Jim Anotsu. Foi surreal ao mesmo tempo em que fez todo o sentido (meio como os livros dele). Eu só não dei gritinhos e fiquei pulando o tempo inteiro porque eu aprendi a controlar essas loucuras fangirl. Mas era exatamente isso que eu estava fazendo na minha mente quando ele falou comigo pela primeira vez (e eu respondi como uma pessoa petrificada tensa incapaz de ter uma reação plausível normal).

Livro: Rani e o Sino da Divisão
Autor: Jim Anotsu
Lançamento: 2014
Editora: Gutenberg
Links: Skoob | Goodreads
Classificação: mpcmpcmpcmpcmpc
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