Resenha: The Other Side of the Story, Marian Keyes

“Por que não conseguimos amar as pessoas certas? (…) Por que sentimos emoções que não podemos controlar e nos movem na direção contrária a que realmente gostaríamos de ir? Somos conflitos ambulantes, batalhas internas sobre duas pernas. (…) Somos uma piada cósmica, uma experiência que deu errado.”

Essa é a história de três mulheres: Gemma Hogan é produtora de eventos que quer escrever um bestseller. Lily Wright é a ex-melhor amiga de Gemma, que roubou o namorado dela e conseguiu escrever um bestseller. E Jojo Harvey é a agente literária que publicou Lily e que recebe um manuscrito de e-mails da Gemma que pode virar um bom livro. Mas as vidas das três vai muito além disso.

Quem já leu algo da Marian Keyes conhece o estilo dela de escrever genialmente sobre situações cotidianas e sentimentos confusos, normalmente divididos entre várias pessoas. E nesse livro não é diferente.

Pra quem gosta de mercado editorial, como eu, o livro se torna ainda melhor. Mesmo não tendo nada muito a fundo do tema, o pouco que é mostrado do trabalho da Jojo parece (assustadoramente) ótimo e os pensamentos de ilusão e desilusão tanto da Gemma quanto da Lily são engraçados e desesperadores.  É muito interessante ter o lado tanto do autor iniciante, que sonha com o seu bestseller e se desespera ao notar que o único exemplar do seu livro que existe na livraria está guardado na última prateleira da última estante quanto o lado do agente literário (figura que ainda não existe muito aqui no Brasil, mas enfim), que precisa fazer as escolhas certas nos momentos certos pros seus livros serem um sucesso.

Esse livro não me conquistou mais porque eu realmente pensei que as personagens iriam se encontrar mais (de duas vezes, pelo menos). As três têm história de vida completamente separadas, e isso me desapontou um pouco. Acho que como o leitor tem conhecimento da situação das três, quando uma faz algo que vai dar em burrada (na maior parte do tempo com a Lily), mesmo que as outras duas não tenham nada a ver com o acontecido, elas poderiam se ajudar ou se criticar, sei lá, fazer algo juntas. As três são, de certo modo, tão sozinhas que acho que quis que elas se encontrassem pra que algumas coisas não desse TÃO errado e elas não tivessem com quem se confortar.

O que mais me agrada, tanto nesse quanto nos outros livros da Marian Keyes, é que mesmo que os personagens sejam pessoas com as quais você não se identifica de maneira alguma, a Keyes consegue convencer você do porquê o personagem age daquela forma. E às vezes a explicação parece até ridícula (o caso da Lily, por exemplo, que não tem um puto no bolso e compra uma casa nova (!!)), mas de certa forma você consegue entender porque a personagem apostou em tudo aquilo, por um momento aquilo pareceu certo. Em vários momentos eu me peguei pensando porque as personagens faziam tantas decisões ruins em suas vidas. Eu também acho muito legal essa habilidade da autora de escrever sobre personagens errados fazendo decisões erradas, mas de modo que as partes dramáticas não sejam tão dramáticas por causa das tiradas engraçadas e nonsenses dos personagens.

Livro: Um Bestseller pra Chamar de Meu
Autora: Marian Keyes
Lançamento: 2012
Editora: Bertrand Brasil
Links: Skoob
Classificação:                                                                mpcmpcmpcmpcmpc
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