Resenha: The Theory of Everything, J. J. Johnson

A vida é uma constante comparação, você e os outros. Você descobre quem é, se é bom ou mau, em relação às experiências e situações de outras pessoas.”

Sarah é uma garota de 15 anos que não está pronta para superar o pior acontecimento da vida dela: a morte de sua melhor amiga, Jamie. Oito meses já se passaram, e todos acreditam que Sarah precisa superar e continuar com a vida dela normalmente. Mas o que todos sabem sobre a dor e a culpa e tudo o que se passa na cabeça da Sarah?

Comprei esse livro por achar interessantíssimo o mesmo livro ter três capas diferentes, por ele ser um YA de uma editora que eu nunca tinha ouvido falar, e porque a sinopse me chamou a atenção. Mas eu me surpreendi muito com esse livro, porque ele não é nada do que eu esperava!

Primeiro, porque ao ler a sinopse e ver que se trata da história de uma garota que acabou de perder a melhor amiga, você já pensa que vai ser uma história triste, cheia de angústias, e talvez você ache que o personagem está exagerando, seja no luto ou na falta dele. Mas qual não foi a minha surpresa ao começar a ler um livro com uma personagem inteligente, sarcástica, que sim, está de luto; sim, não consegue superar a morte da melhor amiga, mas não, não fica se lamentando com comportamentos forçados ou algo assim. Não sei se me expressei bem, talvez eu tenha soado insensível falando isso, mas o que eu realmente quero dizer é que nada do que a Sarah pensa e diz parece forçado.

Segundo, porque o desenrolar da história é totalmente imprevisível e muito bom! Acompanhamos o cotidiano da Sarah, todas as tentativas dela de superar o que passou, o fato de ela não conseguir isso por causa da culpa que ainda sente, até o momento em que as coisas mudam. A vida dela mudou muito depois da morte da Jamie, e toda essa mudança a abala muito, e a falta da Jamie a abala mais ainda, e tudo e todos parecem andar sobre ovos, e ela odeia isso, odeia o fato de não ter mais a Jamie, odeia o fato de que as pessoas acham que ela simplesmente precisa se acostumar a isso. Como se acostuma com a morte da melhor amiga? E todo esse processo de amadurecimento e luto e, sei lá, aceitação (?) é mostrado de forma… brusca, eu diria. Não porque é forçado e rápido, longe disso, mas porque é o único jeito da Sarah aceitar o que aconteceu, parar de se culpar por tudo. Porque as pessoas precisam parar de tentar esquecer a Jamie, esquecer tudo o que aconteceu, e realmente encarar a ausência dela, realmente encarar o luto da Sarah.

Terceiro, porque o melhor ponto do livro, o que dá base para toda a história ser ótima, é a narrativa da autora. É a forma como ela fez a Sarah ser tão real. A identificação é rápida porque a Sarah é uma adolescente e ela age e pensa como tal. Ela é sarcástica, ela tem os seus momentos fáceis e difíceis com a família, ela se sente culpada pela morte da amiga e às vezes só quer desaparecer, só quer chorar e botar tudo pra fora e, na maioria das vezes, ela percebe quanto isso é difícil. E tudo isso numa narrativa muito crua, muito familiar, muito direta.

Eu realmente gostei muito desse livro. O que me incomodou foi o final aberto demais. Achei que foi meio rápido, achei que faltou algo. Talvez o que aconteceu comigo foi que eu esperava algo grandioso, mas na verdade a mensagem que é passada no livro é algo bem mais sutil.

Livro: A Teoria de Tudo
Autora: J.J. Johnson
Lançamento: 2013
Editora: Nossa Cultura
Links: Skoob
Classificação:                                                             mpcmpcmpcmpc
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