Resenha: A Confissão da Leoa, Mia Couto

Em Kulumani, uma pequena tribo moçambicana, vários ataques de leões estão acontecendo. Já são mais de 20 vítimas – apenas um homem entre elas -, e as autoridades estão em alerta. Um conhecido caçador é escalado para matar as feras: Arcanjo Baleiro já esteve na região para abater um jacaré, já roubou o coração da jovem Mariamar, já conhece um pouco dos costumes da região.

Li esse livro nesse mês de março porque foi o primeiro livro do Clube de Leitura Penguin/Companhia e Livraria Cultura RioMar. Eu e uma amiga, Mariana (vocês verão mais dela aqui, aguardem!), somos mediadoras desse clube e debatemos esse livro na primeira segunda-feira de abril com um grupo de 10 pessoas lá na loja do RioMar. Foi uma experiência ótima, e aproveito minha resenha pra compartilhar algumas coisas debatidas no grupo.

Esse foi meu primeiro livro do Mia Couto e, claro, foi além das minhas expectativas (e pré-conceitos). Alternando entre as perspectivas de Mariamar, uma jovem da tribo Kulumani, e Arcanjo Baleiro, o caçador de fora da tribo, Mia Couto conseguiu descrever a magia e a brutalidade de uma tribo moçambicana remota, os amores e medos de dois personagens bem diferentes, a fé e a coragem de quem sempre acreditou nos mistérios da vila e de quem está começando a conhecê-la.

Se por um lado eu fiquei confusa e cheia de teorias a respeito dos leões e de quem ataca quem, por outro lado também fiquei encantada com a passionalidade de Mariamar e bastante intrigada por todo o desenvolvimento da história. Não entendi bem porque de algumas coisas acontecerem com a Mariamar (por exemplo, ela conta que ela ficou paralítica no passado, mas que depois de um tempo (um ano, acho) voltou ao normal. seria por causa de alguma doença?, ou algo mais ligado à fé dela?), mas a perspectiva dela sempre me deixava com alguma angústia, por n motivos. Todos os questionamentos dela são tão próprios e, ao mesmo tempo, tão gerais. Ela se pergunta por que vive e chora e ama por causa da opressão de Kulumani e do contexto em que ela vive, mas todas essas perguntas ressoaram pra mim, vivendo num contexto bem melhor do que o dela, sem todo o sofrimento e a confusão em que ela vive.

Quanto ao Arcanjo Baleiro, o que eu gostei mais foi porque durante a história ele perde e ganha várias coisas. Não materialmente falando, mas em termos de amadurecimento mesmo. Ele é traumatizado por conta de um acontecimento na infância, que muda toda a sua vida. Por causa disso e do seu contexto, é uma pessoa bruta, cheio de farpas. Com o passar da história, Kulumani acaba mudando seu modo sempre objetivo de observar o mundo ao redor.

Esse livro foi uma ótima surpresa, um novo aprendizado. E poder debater esse contexto de realidade fantástica e outros aspectos do livro com um grupo foi muito legal. É um livro forte de crítica e religiosidade, misturando realidade e fantasia, crença e objetivismo. Valeu muito a pena.

Livro: A confissão da leoa

Autor: Mia Couto

Lançamento: 2012

Editora: Companhia das Letras

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