Resenha: Annabel & Sarah + Entrevista

Esse livro é totalmente diferente de tudo o que eu já tinha lido. Conta a história de duas irmãs gêmeas, que na verdade não são nada parecidas. Um dia, Sarah é puxada por uma televisão, e Annabel a segue, pra trazê-la de volta. As duas embarcam numa aventura em outros mundos muito estranhos – Annabel cai numa estrada e só sabe que tem que encontrar a flor Amor-Perfeito e levá-la na Ilha da Expectativa, mas não tem ideia de onde encontrar a flor nem de como ir para a ilha; Sarah cai numa cidade chamada Allegria, onde todos são obrigados a serem felizes. E daí parte a aventura delas pra voltar pra casa.

O livro é totalmente surpreendente. Primeiro, nos personagens: Annabel está num mundo onde a primeira pessoa que ela encontra é uma raposa; e Sarah se encontra num mundo onde o assistente da prefeita é uma barata que fala em terceira pessoa (juro que tentei superar isso, mas quando penso em baratas a única coisa que me vem é asco). Segundo, por se tratar de um conto de fadas com referências diversas, como música indie e literatura beatnik. Algumas sutis, outras nem tanto, mas todas adicionando uma personalidade única aos personagens, à aventura, ao livro em si. O terceiro ponto mais surpreendente do livro são os diálogos: o humor ácido, principalmente de Annabel, mas também de outros personagens, é uma coisa espetacular. Inteligentes, sarcásticos e divertidos, sempre uma tirada perfeita.

Isso é só a ponta do iceberg. Nas poucas 155 páginas o livro consegue levar você por personagens cada vez mais estranhos e surpreendentes. E mais: o livro é dividido em cinco partes, e no começo de cada uma delas há um interlúdio, mostrando um pouco do “antes”, onde dá pra conhecer um pouquinho mais da Annabel e da Sarah. Li algumas resenhas que diziam que os personagens não foram muito aprofundados, e concordo. Fiquei morrendo de vontade de conhecer mais da Sarah, de saber como ela se comportava com os amigos dela, se ela era sempre a princesinha. E também de conhecer mais da Annabel e de outros personagens. Mas também percebi que isso não era o objetivo do autor. Essas informações certamente seriam muito interessantes, mas eu acho que não seriam necessárias pro total entendimento do livro. Acho que o pouco que foi oferecido conduz muito bem a história, e as possibilidades que ficam pra o leitor imaginar são ótimas.

Enfim, cinco estrelas e lugar reservado na estante de favoritos. Ah, e o livro foi publicado pela Editora Draco. E ainda digo mais: quinta-feira tem post especial, novidade aqui no blog, e eu vou falar de Annabel & Sarah de novo! Então espero que tenham gostado e pra quem ainda não leu, leia na oportunidade mais próxima!

E tem (mini) entrevista também! Antes mesmo de ler o livro eu pedi pro Jim essa entrevista (em maio, especificamente). Quando ele respondeu me encantei tanto que morri ainda mais pelo livro! (Informação inútil: Fui na Cultura daqui de Recife pra comprá-lo, e morri de medo que não tivesse mais o livro – eu sequestrei o cartão de crédito da minha mãe e ela iria notar se eu passasse mais de um dia com ele =x) Enfim, a entrevista!

1. “Annabel e Sarah” é seu livro de estréia. Antes dele você já havia escrito algo e não conseguiu (ou não quis) publicar?

Sim, “Annabel & Sarah” é um livro que pode ser considerado o primeiro biscoito recheado do meu pacote. Eu já havia escrito quatro romances antes deste, mas nunca achei nenhuma utilidade pra eles além de segurar a porta ou atacar alguém que invadisse o meu quarto. Eram tão ruins que uma aluna minha, na época com 10 anos disse que a única parte da qual ela havia gostado era: “aquela que tem a iguana na meleca.”. Triste. Na verdade eu nem mesmo pretendia publicar Annabel, mas as coisas simplesmente foram acontecendo e quando vi, puft!, o livro estava nas minhas mãos.

2. O quanto de você mesmo te inspirou a escrever “Annabel e Sarah”? E quais são suas outras inspirações?

Essa é uma pergunta complicada, nossa. Acho que em tudo o que eu escrevo tem um pouquinho de mim. E fica difícil de analisar, o livro foi escrito quando eu tinha 17 anos. Acho que em todos os personagens tem um pouco de mim, mas muita coisa foi diluída na minha memória com o passar dos anos. Annabel tem um pouco do meu senso de humor (ou da falta dele, isso sempre me deixa em dúvida), Sarah tem uma personalidade bem tranqüila feito a minha. E principalmente Beatrice, que fala coisas non-sense e faço isso o tempo todo. As outras inspirações são muitas, amigas minhas, pessoas que vi na rua. E Allegria foi baseada num lugar horrível no qual trabalhei. Como eu sabia desde o início que eu escreveria um conto de fadas usando referências, já havia um pacto tácito entre eu e a escrita de que algumas coisas seriam referências: O Punk Cabaret, Literatura Beat, Noir, música indie.

3. Você participou de algum modo no processo de criação da capa do livro? O que você achou do resultado final?

Eu simplesmente amei aquela capa! Eu não me envolvi muito. Meu único papel foi o de às vezes espiar e rezar pelo resultado final. Os senhores Warllen e Válber fizeram um trabalho muito legal ali e conseguiram passar como são as gêmeas e até o que você pode esperar da personalidade delas. Ah, e se não fosse pelos xingamentos constantes do Warllen para que eu parasse de assistir TV e terminasse de escrever “Annabel & Sarah”, talvez nem estivéssemos conversando.

4. Eu li a primeira parte do seu livro e achei bem interessante a “trilha sonora” que você cita no decorrer das situações. Você falou sobre as bandas seguindo seu próprio gosto musical ou/e de acordo com o “clima” da situação descrita no livro?

Todas as citações já haviam sido escolhidas antes de eu escrever a primeira linha.E a maior parte delas tem a ver com a minha personalidade, mas também com aquilo pelo que elas estão passando ou vão passar no capítulo seguinte. Um exemplo fica na parte em que é citada a banda “The Wombats” que é conhecida por ter um estilo pop cheio de ironia, é basicamente sobre o que está acontecendo no carro e como as coisas se desenrolam dali em diante. Ou quando escolhi Smashing Pumpkins pra ser a banda favorita de Annabel, as outras opções eram HIM e Franz Ferdinand, mas as atitudes dela tem mais a ver com a da banda de Billy Corgan. Falei muito, mas nenhuma referência foi gratuita.

5. Você já está escrevendo (ou já escreveu) o seu próximo livro? Você poderia falar um pouco sobre a temática e a sua abordagem? Em quanto tempo você acha que ele será publicado (ou em quanto tempo você gostaria que ele fosse publicado)?

Sim. Na verdade quando “Annabel & Sarah” foi publicado ele já estava no fim da escrita. Como fiquei três anos preso num conto de fadas, com todas as suas estruturas e regras e coisas que não me permitiam sair muito do que eu planejei anos antes, decidi que escreveria uma coisa mais leve (pra mim escritor). Aí, comecei a rascunhar uma dramédia romântica sobre um cara apaixonado pela melhor amiga e correndo de um lado para o outro pela cidade ajudando uma ceifadora estagiária. Mas estou no momento da minha revisão. Volto pra página um, linha um e trabalho em cima. Eu não posso afirmar quando ele será publicado ou quando eu desejaria que ele fosse publicado. Sou famoso por fazer um monte de coisas ao invés de escrever: aulas de culinária, de violino, passear com meu cachorro e ficar sentado conversando com meus amigos. Mas estou tentando fazer o possível pra ser um pouquinho mais rápido.

É isso! Espero que gostem tanto da resenha como da entrevista, e não esqueçam: quinta-feira tem mais Annabel & Sarah aqui no blog. Não vou adiantar nada porque é surpresa, uma talvez-coluna nova!

8 Comentários
  1. Livia disse:
    Eu discordo completamente quando dizem que os personagens não foram aprofundados… Rsrs… Completamente o contrário… Ah, as entrelinhas…

    rsrsrs

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  2. Mads *Sheppie disse:
    OMG OMG OMG!
    adorei a resenha, estou loooouca pra ler o livro
    e AMEEEEI a entrevista com o boss HAHAHAHAH
    gentee! ri demais.. amei mesmo!

    parabéns mary ;)

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  3. Oi Mariii
    Uauuu, adorei a entrevista, é muito bom saber o que há por trás dos livros!
    Ainda não o li, mas já está na minha listinha…

    Beijos

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  4. Warllen Silveira disse:
    Finalmente tive meu alento para amolar reconhecido! hauhauha. Adorei o post! Parabéns Marina!

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  5. Andressa Ledesma disse:
    Não tinha lido nenhuma resenha nem sinopse desse livro ainda, e ja estava na minha estante do skoob, acredita? UHEUOHOEU é que me encantei com a capa, sério. *-*
    E agora, lendo tua resenha, fiquei com muito vontade de ler.

    beijos :*

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  6. nasuaestantee disse:
    adorei a resenha E a entrevista! nao sabia que o livro era assim, não devo ter lido direito a sinopse rs OSIAGHAGSO
    a entrevista ficou tri boa! parabens mariii:D

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  7. Gabriela Camarinha
    Twitter: Gabi_book
    disse:
    Faz tempo q eu quero ler esse livro, sua resenha só confirmou mais ainda essa vontade.
    Capa linda, otimo livro e autor brasileiro – Uma combinação perfeita

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