Resenha: Savor the Moment, Nora Roberts

Terceiro livro da série Quarteto de Noivas, Bem-Casados conta a história de Laurel, responsável pelos quitutes da empresa Votos, e Delaney Parker, advogado, amigo de infância e irmão da Parker.

Eu gostei do desenvolvimento do relacionamento da Laurel com o Del. Duas personalidades fortes, uma amizade antiga, um sentimento de proteção antigo, uma situação financeira ruim que foi superada em parte há algum tempo. É uma boa combinação. O romance acontece de forma previsível e bem racional, o que é um ponto forte: a Laurel é daquelas que encara o problema de frente, e conversa sobre isso.

Mas o que eu mais gostei mesmo nesse livro foi o contexto e a Parker: primeiro, o contexto: todos estão de férias na praia. É uma boa mudança de ares, apesar de todos eles serem muito apaixonados e conectados ao trabalho. Mudou um pouco a dinâmica do grupo, e eu gostei bastante disso. Gostaria que tivesse mais partes das conversas e da convivência, mas isso é um gosto particular que quase nunca tem nos livros. Segundo, a Parker. A melhor personagem tem o último livro, mas nesse já temos um vislumbre de como vai ser o relacionamento dela com o seu par, e tem tudo pra ser incrível, exatamente como o esperado.

Até agora, esse é o segundo melhor livro da série — o livro da Emma é o pior pra mim –, e toda vez que eu leio algo da série eu penso em como seria legal trabalhar com organização de eventos. Essa série é a mais realista sobre o assunto, me dá muita vontade de trabalhar com isso. Anyway… esperando ansiosamente o livro da Parker!

Livro: Bem-casados
Série: Quarteto de Noivas #3
Autora: Nora Roberts
Lançamento: 2014
Editora: Arqueiro
Links:Skoob | Goodreads | Livro #1 | Livro #2
Classificação:mpcmpcmpcmpcmpc
Exemplar cedido pela Editora Arqueiro para resenha.
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Sobre livros juvenis e leitores preconceituosos

A discussão já é antiga, assim como o preconceito. E, como todo preconceito, não se justifica, principalmente se olharmos os números do mercado nos últimos anos. Mas várias pessoas ainda olham torto para os livros juvenis.

Eu posso falar com total conhecimento de causa: dos quase mil livros que tenho nas minhas estantes, 90% ou até mais é juvenil. E tem gente que chega aqui na minha casa, olha para os meus livros e tem a coragem de virar pra mim e dizer “e aí, tem algum livro bom ou é tudo livro de criança?”.

Eu não entendo — e, sinceramente, acho que prefiro não entender — as pessoas que acham problemas na literatura juvenil. Digo, as pessoas que têm problemas por causa de seus julgamentos e pré-conceitos. Por que não pensar que todo e qualquer livro é válido, dependendo apenas de seu humor do dia e do seu estado de espírito? Essas pessoas não falam que livros juvenis são ruins porque leram e acharam a narrativa ruim, ou acharam que os personagens não são cativantes o bastante. A maioria delas não lê e diz que o livro é ruim porque…………. por que mesmo? Por que é um livro onde o público-alvo são jovens/adolescentes/crianças? Desculpa, mas seu argumento não é válido. Existem livros pra todos os gostos, idades, preocupações e desalentos. Não é justo você dizer que um livro é ruim porque você não faz parte do público-alvo dele (!!). Ele apenas não foi feito pra você.

Aí tem aquele tipo de pessoa que tenta (inutilmente) mascarar seu preconceito dizendo “é ótimo que você leia livros juvenis, mas depois de uma certa idade você precisa ler livros melhores”. Eu mal consigo respirar depois de “certa idade” + “livros melhores”. Essas pessoas normalmente são aquelas que gostam de ler livros sobre finanças e economia. É claro que eu conheço várias pessoas que já me disseram isso e… uma vez (apenas uma) eu tentei argumentar de volta dizendo “mas eu não gosto de economia, não é o tipo de livro que eu gostaria de ler”. E a pessoa disse, com cara e voz de quem estava ensinando algo muito importante a uma pessoa muito burra: “mas, querida, não é questão de gostar, você precisa ler de qualquer jeito”.

Parei de discutir depois disso, claro. Mas explicando agora: não, eu não preciso ler algo que eu não goste — a não ser que seja algo relativo a trabalho/faculdade, e mesmo assim eu ainda tenho algumas ressalvas –, e, definitivamente, eu (você, todos nós) não preciso ler algo pra provar que sou inteligente ou algo do tipo para alguém. Eu penso que os seres humanos são perfeitos em suas imperfeições justamente porque existe um grupo de pessoas que gosta de um grupo de coisas. As coisas existem porque existem pessoas que gostam delas. Eu não preciso me aprofundar num assunto que eu não gosto sem nenhum motivo maior, porque existem pessoas que se aprofundam nesse assunto porque gostam dele. Não estou dizendo que todos devem se fechar em suas caixas de gostos, lógico. Estou dizendo que todos têm o direito de não querer e não precisar ler mais sobre certo assunto que não lhe interessa.

Com isso, concluo algo que deveria ser de conhecimento público: não existe literatura superior ou inferior. Existem livros bons e livros ruins? Existem, tecnicamente falando. Mas existe livro tecnicamente ruim que é bom para certas pessoas em certos momentos. E também existe livro tecnicamente bom que é ruim para certas pessoas em certos momentos. Não leia um tipo de livro só pra dizer que ele é ruim, principalmente se você já leu outros livros do mesmo estilo e não gostou deles. Principalmente, não diga que um livro é ruim e não argumente o porquê de sua opinião.

O fato de você ter um gosto literário não quer dizer que tudo o que você gosta é bom e tudo o que você não gosta é ruim.

O que eu li na semana

Faz um tempão que não faço um apanhado geral de como foi minha semana. Mas como eu sei que nem sempre vou conseguir ler livros suficientes pra isso ficar interessante (tipo essa semana), vou mostrar aqui o que eu li de interessante também na interwebs!

  1. Essa semana eu li Azar o Seu!, da Carol Sabar, e o livro é hilário! O começo lembra muito Emma Corrigan, que eu adoro! Um livro 5 estrelas!
  2. Não ando me interessando muito pelos mangás mais novos, mas ainda tenho fé que algum(ns) que eu li no passado serão publicados (HanaKimi! Midnight Secretary!). Meanwhile, fico vendo posts de novidades e de quem compra. O Luciano, do .Livromostrou essa semana suas aquisições (Loveless!).
  3. O site Publishnews apontou o público jovem como grande parte do sucesso dessa última Bienal e apostas para o futuro por causa disso: a Gutenberg lançará ainda esse ano um livro da famosa página Indiretas do Bem, que tem mais de 5 milhões de seguidores no facebook.
  4. As meninas do Nem Um Pouco Épico viajaram pra LeakyCon esse ano e começaram a falar da maravilhosa viagem lá no blog, onde temos o principal fato que o Woody pegou no peito da Dayse!!!!!
  5. Eu vi esse post do Book Riot falando sobre turismo literário em Portugal e só lembrei da Salete e da Bianca, amigas que acabaram de se mudar pra lá!
  6. A Duda do Book Addict fez um post falando dos eventos literários que acontecerão aqui em Recife em setembro! Amanhã já tem Carol Munhóz e Raphael Draccon! Vamos todos?

Well, se vocês tiverem sugestões de posts legais, comentem pra eu ler! Adoro conhecer novos blogs! ;-) Até próxima semana!

Resenha: Graffiti Moon, Cath Crowley

É o final do último ano do ensino médio para Lucy, e ela quer comemorar. Para isso, decide encontrar o Sombra, o anônimo grafiteiro que espalha sua arte em forma de pássaros e céus e muitas outras formas de spray que encanta Lucy. Andando pela cidade com Ed, o garoto em que ela deu um murro no nariz num encontro desastrado, ela vai tentar descobrir mais sobre seu artista das ruas.

Eu sempre quis ler esse livro porque o ritmo e a poesia da sinopse me encantaram desde a primeira vez que eu a li. Com a publicação aqui pela Valentina, finalmente li e meu único contra é que é uma noite só é pouco pra tanta beleza.

As imagens que a narrativa da Crowley passa são incríveis. Dá pra sentir toda a paixão e todo o encanto da Lucy pelas obras de grafite do Sombra. E também dá pra se maravilhar com o pouco que é falado do trabalho dela fazendo vidros. É incrível como a arte toca cada um de forma diferente. A Lucy tem um entendimento da obra da Sombra que me deixou boquiaberta de tanta beleza. Não consigo me relacionar tanto assim com pinturas e coisas assim. Pra mim, o mundo que a Lucy mostra e ama no livro é algo bem novo e, talvez por isso, ainda mais encantador. Não é como se ela tivesse passado pelas mesmas coisas que o Sombra passou e, por isso, o entendesse. É mais uma questão de profunda conexão. O que ela pensa sobre o que ele grafita é como se fosse um complemento do próprio pensamento dele. Acho que o Sombra se surpreende tanto quanto eu me surpreendi ao saber o que a Lucy pensa sobre os grafites dele.

Acho que esse é o ponto principal do livro: não é uma história sobre a Lucy e Sombra. É uma história sobre Lucy, Sombra e arte. É lindo e incrível. É poético, também, não só por causa das poesias que acompanham os desenhos do Sombra e são feitos pelo amigo dele, o Poeta. É poético como a arte consegue salvar todos eles, de uma forma ou de outra.

É uma ótima leitura, fluida, mágica, intensa. Como eu disse no começo, o único problema é ser pequeno demais pro meu gosto. O que não quer dizer que a história não é completa e serve bem aos seus propósitos. É apenas uma noite, mas algumas noites valem mais do que vários dias.

Livro: Graffiti Moon
Autora: Cath Crowley
Lançamento: 2014
Editora: Valentina
Links: Skoob | Goodreads
Compre: Loja da editora
Classificação: mpcmpcmpcmpcmpc
Exemplar cedido pela Editora Valentina para resenha.
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Resenha: The Storied Life of A.J. Fikry, Gabrielle Zevin

A.J. Fikry tem uma livraria chamada Island Books na pequena Alice Island. Ele é conhecido por seu humor rabugento, que piorou desde que sua mulher morreu, e sua vida anda sem rumo e sem muito sentido. Até que duas coisas acontecem que mudam a vida dele singularmente: seu exemplar raríssimo de poemas de Poe é roubado e um pacote encantador é deixado em sua livraria.

Não sei se eu gostei tanto desse livro porque já fui livreira e adoro o tema sobre livros/livrarias/mercado editorial, mas esse livro foi uma grata surpresa. Encantador e realista, uma leitura leve, mas também por vezes profunda. E, ainda, com indicações de livros iniciando cada capítulo.

A.J. é rabugento, mas aos poucos conquista o leitor. Pelo sua falta de jeito, pela sua esperança renovada, pelas suas tímidas conquistas ao longo da narrativa. Um homem que já estava cansado da vida e tem sua energia recarregada por causa das novas pessoas que entram em sua vida e aos poucos o faz perceber um novo sentido.

Além do A.J., todo os outros personagens são ótimos. Cada um tem sua participação singular no livro, cada um ajuda e é ajudado por A.J. Pessoas que já se conheciam se olhando de modo diferente, ajudados por um novo olhar. Acompanhar o crescimento de uma personagem em especial é incrível, encantador, de uma singeleza absurda. Faz toda a diferença na vida do A.J., ensinando-o a ser melhor.

Com tudo isso, a história é coesa, fluida, por vezes dramática, mas na maioria do tempo encantadora. São alguns personagens e algumas perspectivas, em terceira pessoa, que se entrelaçam como se fosse um novelo. Um livro curto, pra amar mais os livros e se deliciar com a beleza da vida.

Livro: A Vida do Livreiro A.J. Fikry
Autora: Gabrielle Zevin
Lançamento: 2014
Editora: Paralela
Links:Skoob | Goodreads
Compre:Amazon | Submarino
Classificação:mpcmpcmpcmpcmpc
Exemplar cedido pela Editora Paralela para resenha.