Resenha: Love Letters to the Dead, Ava Dellaira

Laurel começa a escrever para Kurt Cobain porque sua irmã gostava muito dele. E Laurel sente muitas saudades da irmã, e um vazio imenso porque ela não está mais ao seu lado. Era só uma carta, para ser entregue para a professora, mas Laurel acha conforto naquelas cartas escritas pra Amy Winehouse, Janis Joplin, Heath Ledger. Aquelas cartas que nunca serão entregues contém todas as angústias de Laurel, desde o começo do colegial até seu sentimento pela sua irmã.

Eu queria ter gostado mais desse livro. Talvez tenha sido o estilo de “tentar entender o luto através de cartas” que não me apeteceu, talvez tenha sido a falta de conexão tanto com a Laurel quanto com qualquer outro personagem, talvez tenha sido a angustiante revelação do fim do livro, que, por ser percebida por uma adolescente imatura, não teve um “tratamento” adequado…. De todo modo, não gostei tanto desse livro.

O fato é que pra tudo o que eu gostei eu consigo pensar em algo que eu não gostei diretamente ligado. Por exemplo, gostei do tom narrativo usado nas cartas, que desde o primeiro momento dá a entender que a Laurel tem um segredo relacionado à irmã dela, mas que ela não se sente confortável pra falar sobre. Mas ao mesmo tempo que gostei disso, definitivamente não gostei da autora não ter desenvolvido o segredo a tempo de apresentar uma contrapartida, algum conforto real. Pra mim, pareceu que as cartas redimiram a situação da Laurel, e pronto!, ficou tudo ok. Mas… não é bem assim que acontece.

E isso me leva ao outro ponto: gostei da angústia apresentada em todas as cartas, algumas em mais do que outras, mas por outro lado, me pareceu que nenhum dos outros sentimentos foi aprofundado. Nem mesmo o luto. Nem parece ter qualquer outro sentimento mais… devastador. Ela parece estar num estado meio lacônico, mas aí ela começa a falar do Sky e às vezes parece que eles se conectam, mas não realmente, porque ela não consegue passar emoções muito profundas.

Fiquei com a impressão de que o livro era pra ser sobre como lidar com o luto através de cartas, mas na real a Laurel *não* lida com seu luto até as páginas finais. E ela “tenta” se achar no meio das coisas que a lembram de sua irmã, mas de novo isso só acontece, pouco profundamente, nas páginas finais.

Não é um livro ruim, mas todo mundo falou tão bem e houve tantos elogios, que realmente esperava mais. Diria que é um livro 3/3.5 estrelas. As curiosidades sobre os artistas citados são um bônus bem legal.

Livro: Cartas de Amor aos Mortos
Autora: Ava Dellaira
Lançamento: 2014
Editora: Seguinte
Links: Skoob | Goodreads
Clasificação: mpcmpcmpc

Resenha: Shadow and Bone, Leigh Bardugo

Ravka é um reino dividido pela Dobra das Sombras, um lugar feito de fumaça negra e criaturas letais. Muitas expedições são feitas para tentar atravessar a Dobra, mas ela precisa ser destruída de uma vez por todas para isso. Alina Starkov é cartógrafa de uma das expedições, uma simples garota que acaba descobrindo um grande poder.

É difícil falar desse livro. Ele é totalmente novo, tanto pro leitor quanto pros personagens. Ravka é um reino com suas próprias regras, suas próprias magias e seus próprios segredos. Os Grishas são aqueles com poderes e são organizados de acordo com eles dentro da sociedade. E, no meio de tudo isso, perdida e desacreditada de si mesma, Alina tenta se encaixar, ou pelo menos conseguir algo próximo disso.

A melhor coisa desse livro é, sem sombra de dúvida, a mitologia. A história tem forte influência russa, e conhecer todos os detalhes é incrível. Nesse ponto, Bardugo foi ótima. É realmente o diferencial da história. Esse primeiro livro é bem introdutório, e no começo eu fiquei um pouco perdida com tantas coisas novas e nomes estranhos. Mas a narrativa flui e depois de um tempo dá pra se acostumar lindamente.

Tirando isso, fica o clichê. A garota nova, com grandes poderes, sem saber o que fazer e sem realmente conhecer nada, nem a si mesma, apaixonada pelo melhor amigo — o que eu achei terrivelmente desnecessário, já que a Alina poderia ser muito mais legal e muito mais badass sem o mimimi tradicional de um romance sem fundamento –, e o cara poderoso, desconhecido, muito atraente, que desperta sensações conflitantes. Não é de todo ruim, mas poderia ser muito melhor.

Esse livro é bom, mas eu espero muito mais do segundo, e vou ficar meio decepcionada se não subir bastante de nível. Espero mais dos relacionamentos entre os personagens e espero mais descobertas sobre os poderes da Alina e todos os desdobramentos que isso causará. Veremos!

Livro: Sombra e Ossos
Série: Grisha #1
Autora: Leigh Bardugo
Lançamento: 2013
Editora: Gutenberg
Links: Skoob | Goodreads
Compre: Submarino | Saraiva
Classificação: mpcmpcmpcmpc

Sobre literatura contemporânea e literatura fantástica

Semana passada falei sobre preconceito literário e essa semana fiquei matutando sobre um tipo específico desse preconceito. É aquela conversa que começa com a terrível pergunta “por que você só lê livros de fantasia (ou pior, “esses livros de criança”)?” e no meio tem algo tipo “você devia ler mais livros reais, que ajudem você no cotidiano”.

Quando alguém me fala isso eu normalmente nem tento argumentar, e quando realmente preciso falar algo eu digo apenas “se eu quiser ler atualidades eu leio o jornal”. O que é uma generalização sem tamanho, mas é pra evitar a fadiga.

A questão é: livros, como um todo, nos ensinam muitas coisas. Todo tipo de coisa. A ficção contemporânea consegue trazer vários e vários aspectos de uma ou várias realidades, sem precisar de elementos sobrenaturais pra isso. Mas a fantasia consegue fazer a mesma coisa com os tais elementos sobrenaturais. Toda a magia, poderes, criaturas e mundos fantásticos adicionam algo que não existe na nossa realidade, mas acabam lidando com os problemas mundanos de sempre.

Na minha experiência como leitora e ex-livreira, a minha teoria é que as pessoas que não leem fantasia não o fazem por medo do desconhecido. Sério. Foram raras as pessoas que, quando eu perguntava “você lê fantasia?”, dizia que não por motivos válidos, tipo “já li algum livro e não consegui me identificar com os problemas do personagem sobrenatural” ou algo assim. A resposta das pessoas normalmente é “ah, não gosto dessa coisa de monstros” ou, ainda, “acho feio”.

O que eu acho mais intrigante em toda essa conversa de “nunca li mas não gosto” é que muitos livros de literatura fantástica são baseados na jornada do heroi, que é, basicamente, todos as situações e contratempos que uma “pessoa normal” passa pra conseguir realizar seu objetivo e se transformar num “heroi”. E isso é tão, tão humano. É a história de como se superar e superar os problemas do dia a dia. Como não se identificar com isso?

Também cheguei à conclusão de que o “desgosto” pela fantasia é por causa da falta de imaginação. Acho que as pessoas não conseguem imaginar seus problemas como inimigos e não conseguem se imaginar como seres com habilidades superiores. Pior, não conseguem imaginar outros mundos totalmente diferentes do seu. Outros mundos com pessoas e criaturas (ainda mais) diferentes e regras de convivência e socialização (às vezes nem tão) diferentes. Mas que lutam, basicamente, pelas mesmas coisas que nós.

E tem outra coisa: muita, mas muita coisa da ficção fantasiosa vem da vida real. Em graus maiores ou menores, mas a História e a Ciência como um todo contribui bastante para todas as guerras, o desenvolvimento tecnológico das criaturas sobrenaturais, o futuro e o passado de distopias… E muitas coisas também são produto dos nossos piores e melhores sentimentos e ações. Vale pensar nisso ao escolher sua próxima leitura!

O que eu li na semana

1. Essa semana li 1Q84, e o que eu mais gostei foi que a tradução conseguiu manter o jeito de falar dos japoneses. E eu pensava que o original também era dividido em três livros, mas não (!), é um livro só e o final é vazio porque é o livro é cortado U.U.

2. Aqui no blog tá fraco de promoção, mas tem umas MUITO legais rolando por aí, tipo a que tá rolando valendo Sábado à Noite 3!

3. Vai ter evento com blogueiros (incluindo esta que vos fala!!) nesse domingo na Saraiva do Shopping Recife! Vamos?

4. A Verus vai lançar o maravilhoso O Diário Secreto de Lizzie Bennet, o livro da websérie The Lizzie Bennet Diaries, uma adaptação moderna de Orgulho e Preconceito. MUITO AMOR!

Resenha: Savor the Moment, Nora Roberts

Terceiro livro da série Quarteto de Noivas, Bem-Casados conta a história de Laurel, responsável pelos quitutes da empresa Votos, e Delaney Parker, advogado, amigo de infância e irmão da Parker.

Eu gostei do desenvolvimento do relacionamento da Laurel com o Del. Duas personalidades fortes, uma amizade antiga, um sentimento de proteção antigo, uma situação financeira ruim que foi superada em parte há algum tempo. É uma boa combinação. O romance acontece de forma previsível e bem racional, o que é um ponto forte: a Laurel é daquelas que encara o problema de frente, e conversa sobre isso.

Mas o que eu mais gostei mesmo nesse livro foi o contexto e a Parker: primeiro, o contexto: todos estão de férias na praia. É uma boa mudança de ares, apesar de todos eles serem muito apaixonados e conectados ao trabalho. Mudou um pouco a dinâmica do grupo, e eu gostei bastante disso. Gostaria que tivesse mais partes das conversas e da convivência, mas isso é um gosto particular que quase nunca tem nos livros. Segundo, a Parker. A melhor personagem tem o último livro, mas nesse já temos um vislumbre de como vai ser o relacionamento dela com o seu par, e tem tudo pra ser incrível, exatamente como o esperado.

Até agora, esse é o segundo melhor livro da série — o livro da Emma é o pior pra mim –, e toda vez que eu leio algo da série eu penso em como seria legal trabalhar com organização de eventos. Essa série é a mais realista sobre o assunto, me dá muita vontade de trabalhar com isso. Anyway… esperando ansiosamente o livro da Parker!

Livro: Bem-casados
Série: Quarteto de Noivas #3
Autora: Nora Roberts
Lançamento: 2014
Editora: Arqueiro
Links:Skoob | Goodreads | Livro #1 | Livro #2
Classificação:mpcmpcmpcmpcmpc
Exemplar cedido pela Editora Arqueiro para resenha.
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