Resenha: Época de Morangos, Rafaella Vieira

Jordana tem 13 anos, está numa viagem pela Disney com sua família, e de repente vê um garoto maravilhoso. Ela tem certeza que ele é o seu príncipe encantado, diretamente da Disney, literalmente. Pensando que nunca mais o veria, Jordana tem um completo susto quando o vê novamente no primeiro dia de aula, na sua escola, em uma série anterior a dela. O que poderia dar errado além de… tudo?

Eu tive uma relação de amor e agonias extremas com esse livro. É o típico livro que a história funciona, apesar dos clichês, e você consegue se identificar com ela, sendo adolescente no momento da leitura ou já tendo passado por alguma situação parecida na adolescência… mas que você simplesmente não consegue ATURAR a personagem principal.

A questão é: Jordana tem 13 anos, aquela época em que tudo parece o fim do mundo, tudo é exagerado demais, tudo toma proporções épicas. E eu entendo isso. Atualmente reviro os olhos para os adolescentes nas ruas que gritam demais e se preocupam demais com coisas mínimas, mas em três segundos me lembro que eu era exatamente assim — e pior, porque eu era quem começava a gritaria e agitava minhas amigas. Mas a personagem conseguiu me tirar do sério durante TODO o livro. Eu não aguentava mais ela. Ela precisava mesmo tomar TODAS as decisões erradas POSSÍVEIS?

Eu realmente gostei da história, por se tratar simplesmente do romance entre os personagens e das voltas em torno dele. Eu gosto de histórias assim, que não tem outro plot além do romance. Tem muitas situações fofas, muitas situações de quase lá, muitas situações de tensão entre os dois. Mas em todas as situações a Jordana entende errado, ou se faz entender errado, e faz o relacionamento deles desandar completamente. Ela é extremamente egoísta e autocentrada e não parece amadurecer no decorrer da história.

O que favorece a história e faz com que você entenda (não goste, não compreenda, mas entenda) o comportamento da Jordana é que a narrativa é fluida e simples, parecendo um diário. Não na estrutura de diário, mas no fato que é a Jordana simplesmente contando seus dias, seus altos e baixos, suas saídas com as amigas, suas festas, seus dias no colégio, seus encontros e desencontros com seu príncipe. É uma boa história porque eu consigo imaginar totalmente uma adolescente de 13 anos lendo e se identificando completamente com as situações e os personagens, e consigo também imaginar totalmente uma jovem adulta de 23 anos lendo e também se identificando — de forma diferente, claro: se perguntando por que diabos ela tomou aquela decisão, relembrando decisões parecidas que tomou naquela idade, percebendo com uma nova perspectiva as consequências de seus atos — com o cotidiano e as maluquices da Jordana.

O bônus – tanto desse livro quanto nos outros dois da Rafaella Vieira – é pra quem mora em Recife poder reconhecer todos os lugares onde a história acontece. É sempre um prazer ler histórias ambientadas em locais que você conhece.

Livro: Época de Morangos
Autora: Rafaella Vieira
Lançamento: 2014
Editora: Gutenberg
Links: Skoob
Classificação:                                                               mpcmpcmpcmpc

Semana Silo: Hugh Howey – de autor independente a autor da Simon & Schuster

SeloSilo

O acordo do Hugh Howey com a Simon & Schuster para a publicação da série Silo foi bem atípica. E o que aconteceu antes do acordo também foi estranho. Traduzo aqui algumas partes da entrevista que o Hugh Howey deu ao site Indie Reader, contando um pouco de como ele passou de autor independente a autor da Simon & Schuster.

Vários agentes literários fizeram contato com Howey para agenciá-lo, mas ele não quis nenhum deles, pois seus livros estavam vendendo muito bem na Amazon de forma independente, e ele não tinha pretensão de arranjar um acordo com alguma editora. A agente que conseguiu fazer com que ele mudasse de ideia — não sobre assinar com uma editora, mas ser agenciado — foi Kristin Nelson. A ideia dela não era a de vender os direitos do livro, mas somente pesquisar o que as editoras tinham em mente para o livro. Ela concordava com Howey que as vendas do livro na Amazon iam muito bem e não fazia sentido mudar o curso de algo que estava progredindo.

Antes mesmo de ter uma editora, os direitos de filmagem foram vendidos, agenciado por Kassie Evashevski. A 20th Century Fox comprou os direitos, com (provável?) direção do Ridley Scott (que também dirigiu Alien) e roteiro do Steve Zaillian.

Voltando ao livro, Howey acabou indo a New York para um encontro de leitores e, também, para vários encontros com grandes editores. Nesse encontro de leitores, Howey convidou Dave Cullen, autor de Columbine, um livro jornalístico sobre um massacre numa escola em 1999. Nesse encontro, entre conversas sobre livros, músicas, TV e quaisquer outras coisas, Dave disse que iria recomendar Howey para Jon Karp, presidente da Simon & Schuster. Howey ficou muito agradecido, mas não tinha expectativas para que algo surgisse disso.

Na manhã seguinte, ao abrir seu e-mail, Howey viu que alguém da Simon & Schuster havia entrado em contato com ele, dizendo que tinha interesse em Silo e perguntando se ele era agenciado por alguém. Naquele momento, Howey pensou que Dave Cullen já havia recomendado seu livro pra Jon Karp e alguém já havia lido e entrado em contato. Mas na verdade isso foi “apenas” uma coincidência, pois um dos editores da S&S já estava lendo Silo e já estava passando a ideia de publicação para Jon Karp.

Nesse dia, antes de ir ao aeroporto de volta para casa, Hugh Howey estava frente a frente com Jon Karp, ouvindo ele perguntar “O que está acontecendo?” e tentando não ficar (mais) nervoso ao saber que tanto Dave Cullen quanto uma das editoras da S&S o haviam recomendado firmemente para Karp. Nessa conversa, em vez de ouvir vários projetos de mudanças em Silo, sobre quanto o livro era ótimo e quanto ele seria um sucesso na editora, Howey teve oportunidade de falar o que ele realmente queria caso o livro fosse publicado, o que ele realmente esperava de um contrato com uma editora.

O que Howey realmente queria era um acordo de publicação apenas para livros físicos, sem perder seus direitos aos e-books já lançados na Amazon. Mas todas as editoras queriam os direitos de seus livros, tanto físicos quanto digitais, para sempre, e, mesmo com todas as enormes quantias apresentadas, Howey não queria perder a estabilidade mensal dele por alguma bolada desconhecida. E isso vai contra o processo tradicional de publicação nos Estados Unidos. Mas Howey tinha uma pequena esperança que isso mudasse, que houvesse uma mudança nos moldes editoriais atuais. Não era algo que ele realmente acreditasse que aconteceria com ele, porque uma mudança geral na indústria é algo que acontece aos poucos, que vai crescendo com cada nova conversa, com nada nova situação.

Duas editoras fizeram concessões em seus acordos, fizeram algumas boas mudanças, mas Howey recusou as duas. Eram editoras que ele tinha contato já há alguns meses, e mesmo com todas as concessões, mesmo pensando bem no valor substancial oferecido, ele recusou, por ainda não ser o que ele realmente queria.

E então a Simon & Schuster trabalhou num acordo que realmente cobria todas as especificidades que Howey pedia. Cláusulas de não-concorrência, sem direitos digitais, termos de licença. Uma mudança inimaginável para o cenário editorial atual. Sem perder o foco no que realmente acreditava, Hugh Howey conseguiu fazer com que seus livros chegassem a mais milhares de leitores.

5 minutos sobre: Silo

Livro: Silo
Autor: Hugh Howey
Editora: Intrínseca
Classificação:mpcmpcmpcmpcmpc

Semana Silo: conheça o mundo pós-apocalíptico de Hugh Howey

SeloSilo

Intrínseca e vários blogs estão celebrando o lançamento de Silo, do Hugh Howey, essa semana! Vários posts serão feitos sobre o livro e o autor, inclusive aqui no blog (YEY!), então você que ainda não conhece, ou conhece mas ainda não tem certeza se quer ler, ou já leu e ficou curioso sobre o mundo apresentado no livro: BEM-VINDO À SEMANA SILO!

O que você faria se o mundo lá fora fosse fatal, se o ar que respira pudesse matá-lo? E se vivesse confinado em um lugar em que cada nascimento precisa ser precedido por uma morte, e uma escolha errada pode significar o fim de toda a humanidade?Essa é a história de Juliette. Esse é o mundo do Silo. Em uma paisagem destruída e hostil, em um futuro ao qual poucos tiveram o azar de sobreviver, uma comunidade resiste, confinada em um gigantesco silo subterrâneo. Lá dentro, mulheres e homens vivem enclausurados, sob regulamentos estritos, cercados por segredos e mentiras. Para continuar ali, eles precisam seguir as regras, mas há quem se recuse a fazer isso. Essas pessoas são as que ousam sonhar e ter esperança, e que contagiam os outros com seu otimismo. Um crime cuja punição é simples e mortal. Elas são levadas para o lado de fora. Juliette é uma dessas pessoas. E talvez seja a última.

Intrínseca lançou esse primeiro livro, Silo, numa edição única de pouco mais de 500 páginas. Mas não foi assim que Silo nasceu. Hugh Howey primeiramente lançou a série de forma independente e separada em várias noveletas. Esse primeiro livro começou como 5 noveletas separadas – para ver sinopses em inglês, é só clicar nas capas e você será redirecionado para o goodreads; mas cuidado com spoilers!:

    

O segundo livro, Shift (tradução livre: Mudança), primeiramente eram três:

  

O terceiro livro, por sua vez, já foi lançado como livro único, chamado Dust (tradução livre: Poeira):

Depois, foram publicados livros únicos para os dois primeiros livros, para série ficar assim:

  

Durante essa semana eu vou contar um pouco mais sobre essa autopublicação na Amazon do Hugh Howey, e também como ele passou a ser publicado por uma grande editora! Fiquem ligados!

E como não podia deixar de ser, além de várias informações pra você ficar por dentro do mundo de Silo, também teremos várias promoções valendo kits personalizados! YEY! E hoje mesmo eu já deixo a primeira forma de você ganhar um kit (camiseta, bottons, adesivo e marcador) + um livro!

Responda nos comentários com um e-mail válido a seguinte pergunta: O que aconteceu com o mundo para que todas as pessoas tenham que morar dentro de silos, privadas de viver ao ar livre?

A resposta mais criativa ganhará um kit completo, com um exemplar do livro! A promoção é válida só até 13/04! Boa sorte! O resultado sairá no dia 14/04 e o envio do prêmio será de responsabilidade da editora.

Além dessa promoção, tem outras rolando nas redes sociais: instagram, twitter e facebook! Sigam e proveitem! ;-)

Resenha: Soulless, Gail Carriger

Alexia Tarabotti é uma humana sem alma numa época vitoriana em que vampiros e lobisomens convivem normalmente na sociedade. As regras de etiqueta servem para todas as criaturas, mas um dia Alexia é atacada por um vampiro – sem nem ao menos ter sido apresentada a ele! Em posse de sua sombrinha e sua personalidade única, Alexia tentará desvendar esse e outros mistérios relacionados à falta de maneiras de criaturas sobrenaturais, com a ajuda de Lorde Maccon, lobisomem e responsável por várias investigações relacionadas a sobrenaturais.

Um romance histórico. Um romance fantástico. Um romance steampunk. Alma? é tudo isso. E nada se perde! Gail Carriger criou uma história divertida, muito bem protagonizada por uma mulher fora do comum de tantas formas e contextualizada numa época cheia de grandes invenções.

Faltou muito pouco pra esse livro ser um favorito meu. Gostei tanto da mistura de romance histórico com steampunk com sobrenaturais! Com tudo na medida certa, a história se desenvolve cheia de detalhes, diálogos engraçadíssimos, relações carismáticas e mistérios que duram até as últimas páginas. Nem sei o que faltou pra ele se tornar favorito… talvez que o livro durasse mais!

A série tem cinco livros já lançados, eu li esse primeiro logo quando foi lançado, mas atualmente o segundo já foi publicado, também. E devo dizer, gostei muito do trabalho da Valentina tanto em termos de diagramação quanto em termos de trabalho com o texto! A capa é quase igual à original – mas melhor! A editora só mudou o estilo do texto que existe na capa, e ficou tão melhor! – mesmo que ainda haja muitas informações. Se você quer ler um ótimo livro com uma personagem inteligente, na era vitoriana e com elementos steampunk, esse é mais do que recomendado!

Livro: Alma?
Série: Protetorado da sombrinha #1
Autora: Gail Carriger
Lançamento: 2013
Editora: Valentina
Links: Skoob
Classificação:                                                                mpcmpcmpcmpcmpc