Fliporto 2014

Começa hoje (!) a décima edição da Fliporto na Praça do Carmo, em Olinda. Com homenagens a Ariano Suassuna e contando com vários nomes de peso, o evento desse ano realmente me empolgou a participar!

Você pode ver a programação completa no site oficial. Essas são as atrações que eu quero ver.

  • 14/11

- 14h: Cláudio Assis, Xico Sá e Hilton Lacerda, com mediação de Isabela Cribari — “Cinema e literatura: casamento suspeitoso, união estável ou de conveniência?”

- 16h: Carina Rissi e Margaret Stohl, com mediação de Ju Costa — Como seduzir o leitor e mantê-lo fiel.

  • 15/11

– 14h: Adriana Falcão, Homero Fonseca, Rodrigo Garcia Lopes, com mediação de Samarone Lima — Grandes e pequenos truques para contar boas histórias

  • 16/11

– 14h: Lourenço Mutarelli e Ondjaki, com mediação de Sidney Rocha — Roteiro, narrativas e imagens: as técnicas do cinema e da literatura: aproximações e distanciamentos.

– 18h30: Samarone Lima, Geneton Moraes Neto e Vladimir Carvalho — “Prefiro Tolstoi”: Ariano Suassuna e seus leitores, os segredos das e aulas-espetáculo e as entrevistas.

Esses eventos fazem parte do Congresso Literário. Também há a Fliporto Galera, com várias programações voltadas ao público escritor, o Cine Fliporto, com alguns curtas e o filme Dezesseis Luas, e a Fliporto Galerinha, com programação voltada para as crianças.

Você pode ver o mapa do evento aqui e atenção: para participar das palestras do Congresso Literário é necessário fazer uma pré-inscrição antes pela internet (!!!) acabei de ver que não tem mais inscrições. O jeito é tentar a sorte na hora pra ver se vai ter lugares sobrando. Veja mais informações aqui.

Retrospectiva Setembro/2014

  1. Amor nas Entrelinhas, da Katie Fforde | mpcmpcmpcmpc
  2. Os Segredos de Colin Bridgerton, da Julia Quinn | mpcmpcmpcmpc
  3. Azar o Seu!, da Carol Sabar | mpcmpcmpcmpcmpc
  4. 1Q84, do Haruki Murakami
  5. Amor Contra o Tempo, da Myra McEntire | mpcmpcmpcmpc
  6. Cretino Irresistível, da Christina Lauren | mpcmpcmpcmpcmpc
  7. Ai Meus Deuses!, da Tera Lynn Childs | mpcmpcmpc
  8. Faça seu Pedido, da Mandy Hubbard | mpcmpcmpcmpc
  9. Glória Mortal, da J.D. Robb | mpcmpcmpcmpcmpc
  10. Álbum Duplo, do Paulo Henrique Ferreira | mpcmpcmpc

Resenha: Love Letters to the Dead, Ava Dellaira

Laurel começa a escrever para Kurt Cobain porque sua irmã gostava muito dele. E Laurel sente muitas saudades da irmã, e um vazio imenso porque ela não está mais ao seu lado. Era só uma carta, para ser entregue para a professora, mas Laurel acha conforto naquelas cartas escritas pra Amy Winehouse, Janis Joplin, Heath Ledger. Aquelas cartas que nunca serão entregues contém todas as angústias de Laurel, desde o começo do colegial até seu sentimento pela sua irmã.

Eu queria ter gostado mais desse livro. Talvez tenha sido o estilo de “tentar entender o luto através de cartas” que não me apeteceu, talvez tenha sido a falta de conexão tanto com a Laurel quanto com qualquer outro personagem, talvez tenha sido a angustiante revelação do fim do livro, que, por ser percebida por uma adolescente imatura, não teve um “tratamento” adequado…. De todo modo, não gostei tanto desse livro.

O fato é que pra tudo o que eu gostei eu consigo pensar em algo que eu não gostei diretamente ligado. Por exemplo, gostei do tom narrativo usado nas cartas, que desde o primeiro momento dá a entender que a Laurel tem um segredo relacionado à irmã dela, mas que ela não se sente confortável pra falar sobre. Mas ao mesmo tempo que gostei disso, definitivamente não gostei da autora não ter desenvolvido o segredo a tempo de apresentar uma contrapartida, algum conforto real. Pra mim, pareceu que as cartas redimiram a situação da Laurel, e pronto!, ficou tudo ok. Mas… não é bem assim que acontece.

E isso me leva ao outro ponto: gostei da angústia apresentada em todas as cartas, algumas em mais do que outras, mas por outro lado, me pareceu que nenhum dos outros sentimentos foi aprofundado. Nem mesmo o luto. Nem parece ter qualquer outro sentimento mais… devastador. Ela parece estar num estado meio lacônico, mas aí ela começa a falar do Sky e às vezes parece que eles se conectam, mas não realmente, porque ela não consegue passar emoções muito profundas.

Fiquei com a impressão de que o livro era pra ser sobre como lidar com o luto através de cartas, mas na real a Laurel *não* lida com seu luto até as páginas finais. E ela “tenta” se achar no meio das coisas que a lembram de sua irmã, mas de novo isso só acontece, pouco profundamente, nas páginas finais.

Não é um livro ruim, mas todo mundo falou tão bem e houve tantos elogios, que realmente esperava mais. Diria que é um livro 3/3.5 estrelas. As curiosidades sobre os artistas citados são um bônus bem legal.

Livro: Cartas de Amor aos Mortos
Autora: Ava Dellaira
Lançamento: 2014
Editora: Seguinte
Links: Skoob | Goodreads
Clasificação: mpcmpcmpc

Resenha: Shadow and Bone, Leigh Bardugo

Ravka é um reino dividido pela Dobra das Sombras, um lugar feito de fumaça negra e criaturas letais. Muitas expedições são feitas para tentar atravessar a Dobra, mas ela precisa ser destruída de uma vez por todas para isso. Alina Starkov é cartógrafa de uma das expedições, uma simples garota que acaba descobrindo um grande poder.

É difícil falar desse livro. Ele é totalmente novo, tanto pro leitor quanto pros personagens. Ravka é um reino com suas próprias regras, suas próprias magias e seus próprios segredos. Os Grishas são aqueles com poderes e são organizados de acordo com eles dentro da sociedade. E, no meio de tudo isso, perdida e desacreditada de si mesma, Alina tenta se encaixar, ou pelo menos conseguir algo próximo disso.

A melhor coisa desse livro é, sem sombra de dúvida, a mitologia. A história tem forte influência russa, e conhecer todos os detalhes é incrível. Nesse ponto, Bardugo foi ótima. É realmente o diferencial da história. Esse primeiro livro é bem introdutório, e no começo eu fiquei um pouco perdida com tantas coisas novas e nomes estranhos. Mas a narrativa flui e depois de um tempo dá pra se acostumar lindamente.

Tirando isso, fica o clichê. A garota nova, com grandes poderes, sem saber o que fazer e sem realmente conhecer nada, nem a si mesma, apaixonada pelo melhor amigo — o que eu achei terrivelmente desnecessário, já que a Alina poderia ser muito mais legal e muito mais badass sem o mimimi tradicional de um romance sem fundamento –, e o cara poderoso, desconhecido, muito atraente, que desperta sensações conflitantes. Não é de todo ruim, mas poderia ser muito melhor.

Esse livro é bom, mas eu espero muito mais do segundo, e vou ficar meio decepcionada se não subir bastante de nível. Espero mais dos relacionamentos entre os personagens e espero mais descobertas sobre os poderes da Alina e todos os desdobramentos que isso causará. Veremos!

Livro: Sombra e Ossos
Série: Grisha #1
Autora: Leigh Bardugo
Lançamento: 2013
Editora: Gutenberg
Links: Skoob | Goodreads
Compre: Submarino | Saraiva
Classificação: mpcmpcmpcmpc

Sobre literatura contemporânea e literatura fantástica

Semana passada falei sobre preconceito literário e essa semana fiquei matutando sobre um tipo específico desse preconceito. É aquela conversa que começa com a terrível pergunta “por que você só lê livros de fantasia (ou pior, “esses livros de criança”)?” e no meio tem algo tipo “você devia ler mais livros reais, que ajudem você no cotidiano”.

Quando alguém me fala isso eu normalmente nem tento argumentar, e quando realmente preciso falar algo eu digo apenas “se eu quiser ler atualidades eu leio o jornal”. O que é uma generalização sem tamanho, mas é pra evitar a fadiga.

A questão é: livros, como um todo, nos ensinam muitas coisas. Todo tipo de coisa. A ficção contemporânea consegue trazer vários e vários aspectos de uma ou várias realidades, sem precisar de elementos sobrenaturais pra isso. Mas a fantasia consegue fazer a mesma coisa com os tais elementos sobrenaturais. Toda a magia, poderes, criaturas e mundos fantásticos adicionam algo que não existe na nossa realidade, mas acabam lidando com os problemas mundanos de sempre.

Na minha experiência como leitora e ex-livreira, a minha teoria é que as pessoas que não leem fantasia não o fazem por medo do desconhecido. Sério. Foram raras as pessoas que, quando eu perguntava “você lê fantasia?”, dizia que não por motivos válidos, tipo “já li algum livro e não consegui me identificar com os problemas do personagem sobrenatural” ou algo assim. A resposta das pessoas normalmente é “ah, não gosto dessa coisa de monstros” ou, ainda, “acho feio”.

O que eu acho mais intrigante em toda essa conversa de “nunca li mas não gosto” é que muitos livros de literatura fantástica são baseados na jornada do heroi, que é, basicamente, todos as situações e contratempos que uma “pessoa normal” passa pra conseguir realizar seu objetivo e se transformar num “heroi”. E isso é tão, tão humano. É a história de como se superar e superar os problemas do dia a dia. Como não se identificar com isso?

Também cheguei à conclusão de que o “desgosto” pela fantasia é por causa da falta de imaginação. Acho que as pessoas não conseguem imaginar seus problemas como inimigos e não conseguem se imaginar como seres com habilidades superiores. Pior, não conseguem imaginar outros mundos totalmente diferentes do seu. Outros mundos com pessoas e criaturas (ainda mais) diferentes e regras de convivência e socialização (às vezes nem tão) diferentes. Mas que lutam, basicamente, pelas mesmas coisas que nós.

E tem outra coisa: muita, mas muita coisa da ficção fantasiosa vem da vida real. Em graus maiores ou menores, mas a História e a Ciência como um todo contribui bastante para todas as guerras, o desenvolvimento tecnológico das criaturas sobrenaturais, o futuro e o passado de distopias… E muitas coisas também são produto dos nossos piores e melhores sentimentos e ações. Vale pensar nisso ao escolher sua próxima leitura!